Mulheres já são 20% dos operadores do metrô de Salvador

São números bastante animadores, visto que, em 1986, a primeira turma de operadoras de metrô do país possuía apenas três mulheres. As unhas bem feitas, os cabelos cuidadosamente arrumados e o fardamento impecável não revelam só o cuidado feminino com a aparência. Mulheres como Aline, Caliana, Camila, Caroline, Elizabeth e Eyde demonstram o zelo com uma profissão em que as mulheres lutam por uma vaga numa estação predominantemente masculina: a de operador de trem.
Hoje, 17 dos 85 operadores de trem do metrô de Salvador são mulheres, o que representa 20% dos profissionais. O percentual é superior ao das mulheres no metrô de São Paulo, maior do país, que conta com 1.047 operadores de trem – 189 do sexo feminino.
Em relação a Brasília, o percentual de Salvador é duas vezes maior. Na capital federal, o metrô tem 18 operadoras de um total de 194. São números bastante animadores, visto que, em 1986, a primeira turma de operadoras de metrô do país, formada em São Paulo, possuía apenas três mulheres.
Para o gestor de Operação da CCR Metrô Bahia, Hamilton Trindade, a competência é o critério central para a contratação dos profissionais. “As oportunidades são oferecidas igualmente para mulheres e homens. Então, para se tornar operadora de trem, basta que se mostre apta durante o processo seletivo e o período de treinamento”, diz Trindade.
Para ele, as mulheres ainda estão descobrindo gradualmente as oportunidades de emprego oferecidas pela CCR Metrô Bahia.
“Antes de iniciar a operação do metrô de Salvador, já conhecíamos experiências bem-sucedidas de outros locais que têm mulheres conduzindo trens”, completou .
O time baiano
A seriedade com que as meninas comandam os gigantes de aço, que pesam cerca de 175 toneladas e medem algo em torno de 84 metros, se mostra no olhar concentrado delas diante dos trilhos.
Como um velejador experiente, elas não desgrudam os olhos do horizonte e dividem a atenção entre o caminho que segue a composição, as imagens das 22 câmeras de segurança que monitoram o interior dos vagões e os comandos estampados no painel de controle. É preciso ter olhos atentos para dar conta de tudo.
Para Lorena Anjos, 27 anos, que há seis meses comanda o metrô em Salvador, o ofício dos operadores é algo maior do que simplesmente levar e trazer pessoas. “A gente está transportando sonhos. Cada pessoa daquela está indo para o trabalho, para uma entrevista de emprego, está indo encontrar o filho. Então, a responsabilidade é muito grande. E todo cuidado é pouco. A atenção precisa ser redobrada”, diz Lorena.